TRECHO DA PEÇA:
"A PRINCESA PANTERA DOS SETE MARES E OS ADOLESCENTES DE SOCOCÓ"
Teatro de: ELSON BARCELOS
Palco: clareira na selva
SORAIA - (uma menina, deitada em
um canto do palco).
Entram os personagens
adolescentes: Potente, Malícia, Exagero, Pessimismo, Galã, Meiga, Indiferença e
Autoritária. (entram conversando e rindo alto)
AUTORITÁRIA – (ordena) –
Galera, silêncio! Silêncio!
TODOS (se calam atentos)
AUTORITÁRIA – É o seguinte, todas
às vezes que temos algum problema em casa com a nossa família ou com os colegas
da escola, viemos para esta floresta encantada de Sococó, porém nunca paramos
para ouvirmos uns aos outros e quem sabe até nos ajudar, não somos mais
crianças, acho que agora podemos dividir entre nós os nossos problemas.
MEIGA – Como assim, ó doce
Autoritária?
AUTORITÁRIA – Veja bem, Meiga. Eu
não sei o nome de ninguém aqui, nos tratamos pelos apelidos que recebemos pelas
nossas atitudes como, por exemplo, você é a Meiga porque você é meiga, mas e o
seu nome? Seu verdadeiro nome. Assim como o nome do Potente, do Galã, da dona
Malícia e dos demais.
GALÃ – Oh, encantadora
Autoritária, o que então nos propõe?
AUTORITÁRIA – Proponho um diálogo
sério entre nós, afinal, já somos adolescentes. Pessimismo, por favor, começa
falando de você, por favor.
PESSIMISMO – Bom, eu duvido que
isso dará certo, mas enfim, meu nome é Ailton, sou conhecido como Pessimismo
porque tudo pra mim é péssimo e nada vai dar certo, como lá em casa, o
casamento de meus pais não deu certo, meu padrasto é um péssimo exemplo, minhas
notas são péssimas... é tudo péssimo!
MEIGA (toda meiga) – Ai
Pessimismo, que horror, queridinho! Eu sou a Silvia, conhecida como Meiga e
venho sempre aqui porque amo a natureza e amo todos vocês, meus amigos
fofinhos.
GALÃ – Eu sou o Galã, claro, o
mais charmoso, o mais elegante, enfim o mais gato. Meu nome é Sérgio, o gatão
das gatinhas.
INDIFERENÇA –(com indiferença) –
Pra mim tanto faz como tanto fez, qualquer coisa pra mim está bom, ou não. Sou
a Indiferença, mas meu nome é Sueli. Lá em casa tanto faz se eu chegar cedo ou tarde, se eu namorar ou não,
ninguém está nem aí, tanto faz como tanto fez. Querem saber de uma coisa?...
Pra mim oh... tanto faz... (faz gestos de indiferença)
EXAGEIRO – (dramático) –
Nossa! Que absurdo! Isso é o fim do mundo! Está declarada a terceira guerra
mundial!
TODOS – Este é o
Exagero exagerado!!!
EXAGERO – Exatamente, eu sou o
Ailtinho, mais conhecido com o Exagero e venho sempre aqui, pois aqui é
exatamente o centro de todo o universo. Não acreditam? Então peguem uma régua e
meçam!
POTENTE – Sai pra lá, Exagero! O
fortão aqui sou eu, mano. Hélio é o meu nome,
conhecido como Potente. Com um sopro eu consigo tirar Júpiter do lugar
que ele está. Tá pensando o que, rapaz. Este é irmão deste...tá ligado?!!!
MALÍCIA (toda insinuante)
– Ai Potente, quanta potência! Será que você não poderia usar esta potencia
toda lá em casa, hein?
TODOS (repreendem) – Dona
Malicia, olha a malicia!!!
MALÍCIA - Ai,
calma gente! Eu só queria que ele fosse lá em casa mudar a geladeira da de lugar.
Ah! Eu sou a Solange de Paula, pura, linda e charmosa, mais conhecida
como Dona Malicia. Sabiam que nem sei o porquê? Eu sou tão inocente!!!
AUTORITÁRIA – (nervosa)
Ai, quanta besteira! Mas enfim, eu sou a Claudinha, ninguém manda em mim, sou
dona do meu nariz, por isso todos me chamam de Autoritária.
MEIGA (avista Soraia
adormecida) – Vejam!!!
TODOS – Ih! Tem coisa estranha no
pedaço!!!
POTENTE – Deve ser uma jupteriana, olha só o cabelo dela.
MEIGA – Oh! Tão fofinha assim, só
pode ser uma fada adormecida!
EXAGERO – (dramático) – É
o fim do mundo, olha só como ela ronca, parece um terrível terremoto!
PESSIMISMO – Deve se a desgraça
em pessoa. Isso é péssimo!
GALÃ – Não fale besteira,
Pessimismo! Não vês que se trata de uma bela a procura de um belo lindo e
charmoso como EU?
INDIFERENÇA (sorri ironicamente)
Se for isso, o pobrezinha vai continuar procurando. Ah... Pra mim tanto faz se
ela esta procurando ou não...
MALICIA – Eu sei muito bem o que
ela está procurando.
TODOS (repreendem) – Dona
Malicia, olha a malícia!
MALICIA – Ora, gente, a casa
dela, uai!!!
EXAGERO – Dona Malícia, toma
muito cuidado com a sua língua, pois qualquer hora a senhora poderá pisar na
ponta dela.
AUTORITÁRIA (nervosa) – Seus bob
ocas! Se realmente querem saber quem é ela, de onde veio e pra onde vai,
perguntem a ela, ora!!!
POTENTE – Ei,
E.T. fêmea, quem é você? De onde veio e pra onde vai?
AUTORITÁRIA – Potente imbecil! É
preciso acordá-la primeiro!
POTENTE – Ah, é verdade, mas como
vamos acordar uma pedra?
EXAGERO – Que pedra que nada,
isso aí é uma múmia dos Egito que veio carregado pela ventania e caiu aqui na
floresta encantada de Sococó. Só não
sei como acordar uma múmia.
PESSIMISMO – Isso é péssimo! Dá
uma paulada na cabeça dela e voará penas pra todo lado. Que péssimo!
MEIGA – Oh, seu maldoso! Em flor
não se bate, se acaricia. Oh, como é linda! Dorme com o um anjinho.
GALÃ – Pedem deixar, eu vou
acordá-la! Vem boneca, venha dormir em meus braços fortes!
TODOS (vaiam)
UUUUUUUUUUUUUUUHHHHHHHHHH...
MALÍCIA – Olha aqui, Galã... já
que ela não virá mesmo, deixa que eu durmo em seus braços fortes...
GALÃ – Sai pra lá, o ...cascavel
venenosa.
MALÍCIA – Hummm... adorooooo...
AUTORITÁRIA – Acorda pra vida, o
dona malícia! E você, o coisa estranha, acorda, acorda... esta pensando que
aqui é hotel 5 estrelas, é?
MEIGA – Vejam... ela está
despertando!!!
EXAGERO – Tomem cuidado! Ela
poderá nos engolir de uma só vez!!!
SORAIA – (despertando) – Onde
estou? Que lugar é este?
MEIGA – Você está na floresta
encantada de Sococó, lindinha.
GALÊ – Não tenha medo, gatinha,
somos amigos.
PESIMISMO – Ih! Vai dar uma dor
de barriga nela que não sobrará nenhuma muita vazia nesta floresta. Que
péssimo!
TODOS (repreendem) –
Pessimismo!!!
PESSIMISMO- Bom, eu avisei, hein!
AUTORITÁRIA – Não liga pra ele não, garota. Este aí é o
pessimismo, eu sou a Autoritária.
EXAGERO – Eu, o exagero.
POTENTE – Eu, o Potente.
MEIGA – Sou a Meiga, a seu
dispor, bonequinha.
GALÃ – Charme e sedução, eu sou o
Galã a sua disposição!
INDIFERENÇA (sorri) – Quer saber
quem sou? Tanto faz saber ou não, eu sou a Indiferença, e se chove ou não
chove, o problema não é meu. (faz gestos de indiferença)
SORAIA – És bem indiferente, realmente!
MALÍCIA – Eu sou a dona Malicia!
(dá um giro diante da menina)
TODOS (exclamam)
iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiihhhhhhhhhh...
MALÍCIA – Será que você não
poderia me apresentar o quarto do seu irmão, hein?
TODOS – Dona Malícia, olha a
malícia!!!
MALÍCIA – Calma, gente! Eu só
queria cochilar um pouquinho! Credo! Eu hein?!
TODOS (aliviados) – Ufa!!!
MEIGA – Oh! Linda for de jasmim,
diz pra nós, quem é você?
SORAIA – Eu sou Soraia!
(CONTINUA...)

